Modernização do B-52 enfrenta atrasos

Decolagem B-52

Modernização do B-52 enfrenta atrasos bilionários e pode comprometer planos da Força Aérea dos EUA até 2030 segundo relatório do órgão de auditoria do Congresso Government Accountability Office (GAO) com aumento de 38% no custo da remotorização, atraso superior a três anos em programas críticos e adiamento da entrada em serviço do novo radar AESA.

Com um orçamento estimado em aproximadamente US$ 21 bilhões, a iniciativa reúne 13 programas destinados a transformar os atuais B-52H na futura versão B-52J, que deverá permanecer em serviço até pelo menos 2050. Entre as melhorias previstas estão a substituição dos motores, instalação de um novo radar AESA, modernização da cabine com displays digitais, novos sistemas de comunicação, aviônicos atualizados e melhorias estruturais capazes de manter o lendário bombardeiro relevante em cenários de combate altamente contestados.

Segundo o relatório, dez dos treze programas apresentam problemas relacionados a custo, cronograma ou desempenho. As maiores dificuldades concentram-se no Commercial Engine Replacement Program (CERP), responsável por substituir os oito motores Pratt & Whitney TF33 pelos modernos Rolls-Royce F130, e na integração do novo radar de varredura eletrônica ativa (AESA), considerado essencial para ampliar a capacidade operacional da aeronave nas próximas décadas.

A remotorização tornou-se um dos principais pontos de preocupação. Desde o início do desenvolvimento, o custo do programa aumentou cerca de 38%, impulsionado por mudanças técnicas, inflação e desafios de integração. O GAO também demonstrou preocupação com a decisão da USAF de iniciar parte da produção antes da conclusão da campanha completa de testes em voo, uma estratégia conhecida como concurrency. Embora reduza o tempo para a entrada em serviço, essa abordagem pode elevar significativamente os custos caso modificações sejam necessárias após os ensaios.

Outro revés importante envolve o novo radar AESA. Inicialmente previsto para entrar em operação ainda nesta década, o sistema teve sua capacidade operacional inicial adiada para o terceiro trimestre do ano fiscal de 2030. O atraso afeta diretamente a evolução do B-52, já que o novo sensor oferecerá maior alcance de detecção, melhor consciência situacional e maior capacidade de empregar armamentos modernos de longo alcance.

O cronograma também sofreu impacto após a perda de um B-52 utilizado nos testes do novo radar. A aeronave caiu em junho de 2026 pouco depois de decolar da Base Aérea de Edwards, na Califórnia, reduzindo a disponibilidade de plataformas para a campanha de ensaios e adicionando novos desafios ao programa de certificação das futuras capacidades.

O relatório do GAO recomenda que a Força Aérea adote cronogramas mais realistas, fortaleça o gerenciamento de riscos, melhore o acompanhamento da vida útil dos equipamentos e aperfeiçoe o uso de ferramentas de engenharia digital antes da aprovação de novas etapas do programa.

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